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Confúcio, os acionistas e o executivo

Confúcio, os acionistas e o executivo

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Zi-Lu perguntou: “Se o Mestre quisesse conduzir um grande exército, quem gostaria de ter a seu lado? ”

Confúcio respondeu: “Aquele que conseguisse derrubar um tigre com as mãos nuas, atravessar um rio sem barco e saltar para a morte sem delongas; este eu não traria comigo. Deveria ser alguém que ponderasse as coisas, que pusesse em prática, com cuidado e atenção, aquilo que planejou”.
O dito de Confúcio varou sua mente enquanto seus olhos dançavam pelos resultados do ano. Claro e límpido, o plano inicial de trabalho ressurgiu em sua mente.

Plantar bases, criar uma equipe verdadeira, gigante por ser um grupo e não apenas bons indivíduos. Uma operação simples, um trabalho humano, elaborado carinhosamente por todos. Novos processos, desenhados por pessoas. Nova energia, cultivada por pessoas. O barco furado do início sendo aos poucos substituído pelo barco tecnológico do rafting; em pleno movimento, com muito suor, água por todos os lados, alguns gritando em aparente desordem, outros compreendendo rápido e agindo em silêncio na reparação do que esvazia a energia.

Comprometimento, engajamento e sincronia de movimentos. De repente o barco começa a navegar com mais sentido, com a direção correta, vencendo a correnteza feroz e os desafios…. Yes!
Confiança – Confúcio. Segundo a sua filosofia, pode-se concluir que a tarefa mais importante do executivo é ser equilibrado. Isto tem a ver com o cultivo e a sustentação da confiança. Pode-se extrair, do que diz Confúcio, que uma cultura de confiança é um dos bens mais importantes que qualquer empresa pode ter; devendo ser valorizada e preservada por seus líderes. Sem confiança não existe a possibilidade de obter um desempenho verdadeiro por longo tempo.

Um relâmpago em sua mente iluminou os momentos do ano em que o grupo necessitou relembrar e reeditar conceitos básicos sobre bons modos, bons relacionamentos e cultivo da gentileza como tônica de trabalho e de desenvolvimento para todos os projetos. “O Caminho Dourado do Meio” de Confúcio. “Quem segue por ele tem mais chances de alcançar suas metas, porque nele encontra muito menos inimigos que poderiam interferir em seus propósitos”.
Projetos começam a dar mais certo que antes. Mais produtividade, o começo do avanço no mercado. A mágica do caminho do meio.

“Ninguém sabe bem o porquê, mas de repente ficou muito mais legal trabalhar aqui”…
Recordou-se de sua equipe alcançando um balanço mais e mais estável em termos de relacionamentos – equilíbrio entre diversidade, personalidades, opiniões, ideologias, histórias, conquistas e interesses. Ficou gostoso conviver e discutir o negócio, ficou mais interessante criar em conjunto, renovar, conversar, inovar. Conflito positivo, discussões acaloradas e muita descoberta.

Viu num relance alguns que deixaram o barco ao longo do caminho – de forma natural, sem drama, apenas porque aquele não era mais o barco onde se sentiam confortáveis. Parece que ouvia Confúcio: “Não faça amizades com quem não se parece com você. Se dois não concordam com o que é fundamental, é inútil fazerem planos juntos”.

Precisava escrever seu relatório anual para os acionistas. Sua mente vagou pelos que matam os tigres com as mãos nuas e agradam bastante aos acionistas a cada trimestre – mesmo que apenas por alguns trimestres, antes que os estragos de longo prazo comecem a cobrar a sua fatura de forma inexorável. Um modelo bastante atual, ainda. Pena.
Confúcio ou Kung-Fu-Tse (551-479 a. C.): Filósofo chave para entender a China (e também muitas outras nações orientais) de ontem, hoje e sempre. A Essência de seus ensinamentos fala do princípio da medida e do meio, com uma valorização inabalável das tradições históricas estabelecidas. Para ele, o princípio base para o desenvolvimento humano era a harmonia e a total consciência dos homens sobre os seus deveres em relação à sua família e ao Estado. Para ele, o nobre identifica o caminho e tenta dar um sentido positivo à vida, seguindo e vivendo em acordo a este caminho. Isto consiste na mais nobre forma de autodesenvolvimento humano. O mais alto estágio de desenvolvimento seria quando o indivíduo é a própria personificação do verdadeiro conhecimento e vive em acordo aos princípios básicos de uma vida verdadeira, sem se preocupar com vantagens pessoais. Neste caso, nem mesmo uma ameaça à própria existência pode desviá-lo do caminho.

Dedicou-se então a escrever várias linhas em seu relatório explicando a arrancada de sua equipe e a perspectiva de resultados muito consistentes ao longo do tempo. Nem mesmo acionistas ávidos para crescer no curto prazo podem desviar a sua verdade. Mesmo que sua própria existência possa parecer ameaçada.

Referências bibliográficas:
– DROSDEK, Andreas: FILOSOFIA PARA EXECUTIVOS, A sabedoria de grandes filósofos aplicada ao dia a dia empresarial, Veros Editora, 183 pgs.

Autor do Artigo: Sergio Tango

Eng.º Alimentos, MBA em Gestão e Recursos Humanos, Coach certificado pela SLAC – Sociedade Latino Americana de Coaching e pela  ICI – International  Association of Coaching Institute. Diretor da SETUP Ouvidoria & Soluções. Sócio PBC Council – Food & Beverages Consultants.