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Os caçadores do “Clean Label” – Brasil e os Extratos Naturais

Os caçadores do “Clean Label” – Brasil e os Extratos Naturais

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“Não há tempo a perder.       Os últimos serão … os últimos.”

Na última quarta-feira, dia 20, no início da tarde um amigo me manda um link pelo WhatsApp com o seguinte comentário: – Veja o que acabou de ser anunciado, mais um movimento sobre o que conversamos durante a FISA (Food Ingredients South America) no final de agosto. O link era sobre o anuncio oficial da aquisição pela Givaudan da empresa brasileira Centroflora Nutra do Grupo Centroflora, que produz e exporta extratos vegetais e frutas desidratadas. A divisão farmacêutica responsável pela produção de princípios ativos fitoterápicos permaneceu no Grupo Centroflora.

Na última década, com um visível aumento nos últimos 5 anos, temos observado uma corrida dos principais fornecedores de ingredientes em investimentos na produção de Extratos Naturais. O aumento da pressão de mercado pelo “Clean Label” em alimentos processados é o grande motivador dessa movimentação.

Os dados apontam um crescimento significativo do macro categoria Health & Wellness (Saúde e Bem-Estar) que atingiu um valor de USD 707 bilhões em 2016 segundo a Euromonitor, e se espera que atinja USD 1 trilhão em 2021. Ela é subdividida em 5 subcategorias – Orgânicos (organic), Livre de (free-from), Fortificado-funcional (F/F), Melhor para você (BFY) e Naturalmente Saudável (NH).  Os Extratos Naturais são considerados dentro dos Naturalmente Saudável (NH). A subcategoria NH fechou 2016 com valor de USD 249 bilhões, sendo USD 165 bilhões da contribuição de produtos “Clean Label”.

No Brasil o macro segmento Saúde e Bem-Estar (Health & Wellness) em 2015 apresentou vendas de USD 27,5 bilhões e é estimado quase dobrar e atingir USD 48 bilhões em 2019.

Global-Health-and-Wellness-2007-2017

fonte:  Euromonitor

O universo de extratos naturais, que além de conferirem sabores e cores, possuem distintas funcionalidades (antioxidantes, termogênicas, fitoterápicas, etc.) cobrem todos os segmentos de alimentos processados. Do guaraná, açaí e ginseng em bebidas, passando pelo alecrim, cúrcuma, pimenta e páprica em carnes, pelo gergelim, chia e amaranto em forneados, até os extratos vegetais em lácteos, tem crescido exponencialmente a incorporação desses produtos naturais nos alimentos processados.

Várias empresas da área de ingredientes têm se movimentado fortemente em ampliações de suas linhas de produtos naturais, tanto por investimento em novas linhas de produção ou através de aquisições.

Como exemplos de ampliações de plantas industriais podemos citar as empresas GNT Colors, a Naturex e a Doehler.

Muito mais frequente tem sido as ações de aquisições:

fonte: sites oficiais das empresas

No mercado raramente funciona o ditado – “Os últimos serão os primeiros”.

Quem não se mexeu, precisa começar a se preocupar.

Autor do artigo: Luiz Azevedo

Eng.º Químico, MBA Marketing, Mestre Economia, diretor da Profiler Business Consulting e sócio da PBC – Food & Beverages Consultants.