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Mercado em momento difícil – Boa hora para compras

Mercado em momento difícil – Boa hora para compras

artigo luiz_2015 abril

Com tantas ofertas disponíveis é melhor se diferenciar para ser mais atrativo aos Private Equity Funds.

Conforme comentamos no artigo de Fevereiro último, “Navegar é preciso”, a indústria de Alimentos & Bebidas vem de um ano e meio de estagnação e deverá enfrentar os próximos dois anos de situação difícil.

Se observarmos o gráfico abaixo, o mercado para Fusões & Aquisições – neste caso dominado pelos Bancos de Investimentos Itaú BBA, Credit Suisse e BTG – deve em 2015 manter, no mínimo, o patamar de 2014, que até Set/2014 acumulou US$ 46,5 bilhões (36 % maior do que 2013) e fechou o ano em US$ 56,2 bilhões.

Fusões & Aquisições – 1993 – 2014e – Brasil (nº transações e Valor USD acumulado no ano)

Grafico_artigo 2015-04 Luiz
Fonte: Thomson Financial, Institute of Mergers, Acquisitions and Alliances (IMAA) analysis

Já a participação dos Equity Funds em 2014 foi menos robusta, com US$ 6 bilhões em negócios até setembro, metade do volume de 2013. Porém, ao logo do segundo semestre do ano de 2014, os principais Private Equity Funds no Brasil (Gávea, Advent e Pátria) aumentaram substancialmente a sua captação de recursos e levantaram cerca de US$ 9 bilhões, segundo a J.P. Morgan.

A previsão é que devido à recessão econômica e com a piora sensível dos resultados operacionais, os controladores (donos) de empresas nacionais de diferentes setores estarão mais inclinados a vender a totalidade ou parte substancial de suas operações.
A projeção da variação cambial esperada pelos Fundos se antecipou. Já no primeiro trimestre, o Real mais desvalorizado, principalmente frente o dólar, tornou os ativos mais baratos em cerca de 20 %.
Mas os Private Equity Funds deverão agir mais intensamente somente a partir do 2º semestre de 2015, porque eles esperam uma queda ainda maior no valor dos ativos e aumento da necessidade por caixa dessas empresas.

Portanto, para os controladores das empresas na indústria de Alimentos & Bebidas, se coloca basicamente o seguinte questionamento:

(a) Acredita na sua empresa e tem recursos – investe na reorganização do Plano de Negócios, na profissionalização da gestão e no equilíbrio financeiro para enfrentar 2 anos difíceis.

(b) Não acredita no negócio ou não tem mais recursos – investe na organização operacional da empresa para vender por melhor valor e ser mais atrativo aos investidores.

Como podemos notar, em qualquer uma das 2 opções, a necessidade de investir em profissionalismo é fundamental. Seja para reorganizar e fortalecer o negócio para atravessar a crise econômica e melhorar a capacidade de geração de lucro e fluxo de caixa, na primeira opção.
Ou, no segundo caso, para a empresa poder se diferenciar frente aos Private Equity Funds das outras ofertas disponíveis no mercado, bem como saber valorizar seus ativos intangíveis.

Normalmente, as avaliações de valor se restringem aos ativos fixos, dívidas fiscais, problemas legais e contábeis. Vale salientar aqui que no setor de Alimentos & Bebidas os ativos intangíveis possuem um valor considerável quando comparado com outros setores econômicos. A razão é que os hábitos alimentares são fortemente conservadores devido à base cultural (tradições). Por isso a importância das marcas no setor, tanto que funcionam como barreiras de entrada (normalmente um grupo novo no mercado ou em um país necessita fazer a aquisição de uma empresa local tradicional).

Autor do Artigo: Luiz Azevedo

Eng.º Químico, MBA Marketing, Mestre Economia, diretor da Profiler Business Consulting e sócio da PBC Council – Food & Beverages Consultants.

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